A história dos códigos de barras

Da ideia à inovação: das linhas na areia à viabilização de cadeias de suprimentos globais 

Os códigos de barras são uma parte extraordinária do nosso cotidiano, geralmente trabalhando nos bastidores para viabilizar a economia mundial. No entanto, suas origens remontam a uma ideia simples, mas revolucionária. O conceito do código de barras foi apresentado por Norman Joseph Woodland e Bernard Silver no final da década de 1940. Norman Woodland estava sentado em uma praia, pensando em como ajudar um gerente de supermercado a encontrar uma forma de ajudar os compradores a explorar sua loja mais rapidamente. Enquanto pensava, ele desenhou algumas linhas na areia. Seu conhecimento do Código Morse, adquirido quando era escoteiro, o levou a perceber que poderia usá-las para codificar uma mensagem. Woodland e Silver idealizaram um método para codificar as informações do produto em um padrão que pudesse ser lido facilmente por uma máquina. Eles registraram a primeira patente de código de barras em 1949. Ela descrevia um “Aparelho e método de classificação” que usava um padrão de círculos concêntricos. Esse design foi aperfeiçoado e se tornou o código de barras linear com o qual estamos familiarizados hoje. O primeiro uso comercial dos códigos de barras ocorreu apenas na década de 1970, quando o Código Universal do Produto (UPC) foi desenvolvido.

 

O primeiro produto escaneado: goma de mascar Juicy Fruit 

O primeiro produto a ser escaneado com um código de barras foi um pacote de goma de mascar Juicy Fruit, da Wrigley. Esse evento histórico aconteceu em 26 de junho de 1974 em um supermercado Marsh em Troy, Ohio. Essa transação aparentemente trivial marcou o início de uma revolução tecnológica no varejo e no gerenciamento de inventários. Os códigos de barras rapidamente provaram seu valor, simplificando o processo de pagamento nos supermercados, melhorando o gerenciamento de inventários e reduzindo o erro humano. Desde o código de barras original, vários formatos foram desenvolvidos para atender às diferentes necessidades. Agora, temos códigos QR, etiquetas RFID, códigos de barras 1D, códigos de barras 2D e vários padrões que os setores usam para processar os produtos facilmente em toda a cadeia de suprimentos. Com base no tipo de simbologia usada, os códigos de barras podem conter uma infinidade de informações.  

 

Como os códigos de barras transformaram vários setores  

Um novo padrão: o Código Universal do Produto 

A adoção do Código Universal do Produto (UPC) na década de 1970 revolucionou o setor de varejo ao acelerar o processo de pagamento usando informações passadas para o caixa usando códigos de barras e scanners. O sistema também permitiu o gerenciamento de inventário em tempo real, permitindo que os varejistas rastreassem os níveis de estoque e reordenassem os produtos com mais eficiência. Na década de 1980, o Walmart se tornou pioneiro no uso de códigos de barras para agilizar sua cadeia de suprimentos. Usando códigos de barras, o Walmart pôde rastrear o inventário com precisão inédita, reduzir a falta de estoque e gerenciar sua vasta rede de fornecedores com mais eficiência. Essa abordagem estabeleceu um novo padrão para o setor de varejo, demonstrando o poder dos códigos de barras em alcançar a excelência operacional. Hoje, os requisitos de etiquetagem do Walmart estabelecem os padrões seguidos por muitos fornecedores, simplesmente devido ao grande volume fornecido ao varejista.

 

Melhorias no atendimento de saúde: segurança em primeiro lugar 

O setor de saúde também se beneficiou significativamente com o uso de códigos de barras, de várias maneiras. Uma pessoa internada em um hospital geralmente recebe uma pulseira de identificação do paciente, com informações vitais relacionadas à saúde durante a sua internação. Os códigos de barras são usados para fornecer e rastrear suprimentos médicos, além de prestar informações necessárias sobre todos os medicamentos, garantindo que os pacientes certos recebam os tratamentos certos. O uso de códigos de barras no atendimento de saúde trouxe grandes melhorias para a segurança geral dos pacientes e o cumprimento das regulamentações. 

Um estudo publicado na Hospital Pharmacy mostrou que, ao escanear códigos de barras nas pulseiras e nas etiquetas dos medicamentos, os profissionais de saúde podem garantir que o paciente certo receba o medicamento certo na dosagem certa, aumentando consideravelmente a segurança dos pacientes, além de reduzir os erros de administração em 50% e os erros graves em 25%.

 

Logística e transporte: entrega simplificada 

No setor de logística e transporte, os códigos de barras revolucionaram a forma como as mercadorias são rastreadas e enviadas. A visibilidade da cadeia de suprimentos permite que os varejistas tomem decisões informadas sobre maneiras de melhorar seus processos e fornecer rastreamento em tempo real para os consumidores. Ao adicionar códigos de barras a pacotes, paletes e contêineres, as empresas podem rastrear itens em tempo real, reduzindo a probabilidade de perda ou extravio de mercadorias e garantindo entregas pontuais. 

A FedEx foi uma das primeiras a adotar a tecnologia de código de barras, na década de 1980, aprimorando o seu sistema de rastreamento de pacotes. Isso permitiu que os clientes rastreassem suas remessas em tempo real, melhorando significativamente a satisfação do cliente e estabelecendo um novo padrão para o setor de logística. 

 

Bibliotecas e museus: gerenciamento de coleções 

Lembra-se da época de ir à biblioteca e retirar um livro para ler em uma viagem longa, um trajeto de avião ou um fim de semana de lazer? Os códigos de barras ajudaram essas instituições a gerenciar suas vastas coleções com mais eficiência. Ao catalogar livros, artefatos e exposições com códigos de barras, as bibliotecas e museus podem manter registros precisos, agilizar os check-outs e aprimorar a experiência geral para visitantes e clientes. 

A Biblioteca do Congresso começou a usar códigos de barras na década de 1980, melhorando consideravelmente sua capacidade de gerenciar e rastrear sua extensa coleção. Essa inovação foi adotada por bibliotecas em todo o mundo, facilitando a catalogação, o rastreamento e o gerenciamento das coleções para as instituições. 

 

Padrões regulatórios: garantia de consistência e segurança 

A adoção generalizada da tecnologia de código de barras levou ao desenvolvimento de padrões regulatórios, garantindo consistência e segurança entre os setores. Organizações como a GS1, órgão global de padrões, tiveram um papel essencial no desenvolvimento e na conservação desses padrões. 

A GS1 é responsável pelo desenvolvimento do Número Global de Item Comercial (GTIN), padrão que confere identificação exclusiva a produtos em todo o mundo. Essa padronização é essencial para garantir que os códigos de barras possam ser escaneados e interpretados de modo consistente em diferentes sistemas e países. Com sua presença internacional, o GTIN ajuda a facilitar as transações e o comércio globais. 

 

A próxima geração de códigos de barras 

A evolução dos códigos de barras: do UPC aos códigos QR 

Embora o UPC continue sendo um pilar central no varejo, a tecnologia de códigos de barras continuou evoluindo. A introdução dos códigos de barras bidimensionais (2D), como o QR, expandiu as possibilidades. Os códigos QR podem armazenar muito mais informações do que os códigos de barras tradicionais e podem ser escaneados por smartphones, vinculando os usuários a sites, vídeos e outros conteúdos digitais. 

Os códigos QR se tornaram particularmente populares em marketing e publicidade, permitindo que as empresas se conectem com os consumidores de maneiras novas e interativas. Ao escanear um código QR, os clientes podem acessar informações sobre produtos, conteúdo promocional e ofertas especiais, criando uma experiência fluida para os usuários. 

 

O retorno da RFID: tecnologia existente com um novo caso de uso 

Inovações como as etiquetas de identificação por radiofrequência (RFID) e a tecnologia de comunicação de campo próximo (NFC) foram baseadas nos códigos de barras, oferecendo ainda mais recursos para rastreamento e captura de dados. Embora essa tecnologia tenha existido em várias formas nas últimas décadas, os aplicativos evoluíram e passaram a incluir casos de uso comercial como rastreamento em pedágios, sistemas antifurto de varejo, gerenciamento de inventário, rastreamento de animais e de itens, e muito mais. 

À medida que os casos de uso da tecnologia RFID evoluem e se expandem, a tecnologia e os sistemas que a utilizam passam a processar volumes maiores de dados em velocidade mais alta, permitindo ainda mais economia de tempo e melhorias nos processos ao longo das cadeias de suprimentos. Com scanners tradicionais, cada caixa dentro de um palete precisa ser escaneada para realizar o inventário e o check-in dos produtos. No entanto, com RFID, uma única leitura consegue captar todas as etiquetas próximas, tornando todo o processo de registro de inventário muito mais simples. Varejistas como o Walmart estão começando a exigir RFID dos fornecedores, indicando que é prevista uma nova onda de etiquetas RFID na cadeia de suprimentos.